
São Benedito, o Negro, religioso
São Benedito, o Negro
c. 1526 – 4 de abril de 1589 · Palermo, Sicília (Itália)
Filho de africanos escravizados na Sicília, frade franciscano iletrado que foi cozinheiro, mestre de noviços e superior em Palermo; muito amado no Brasil.
São Benedito, imagem em madeira policromada, Capela do Corpo Santo, Funchal · Foto: Rui Carita, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons · fonte
Biografia
Benedito nasceu em San Fratello, perto de Messina, na Sicília, filho de Cristóvão e Diana Manasseri, africanos levados à ilha como escravizados; ele próprio nasceu livre. Trabalhou desde cedo como pastor e lavrador e tornou-se conhecido pela bondade e pela vida de oração, apesar dos insultos que sofria por causa da cor da pele.
Por volta dos 21 anos, uniu-se a um grupo de eremitas que seguiam a regra de São Francisco perto de Palermo e chegou a liderá-lo. Quando, em 1564, o papa Pio IV determinou que esses eremitas se integrassem a ordens aprovadas, ingressou nos Frades Menores e foi destinado ao convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, onde trabalhou como cozinheiro.
Embora fosse irmão leigo e não soubesse ler, sua sabedoria espiritual era tão reconhecida que foi nomeado mestre de noviços e, mais tarde, guardião (superior) da comunidade. Concluídos esses serviços, voltou com alegria à cozinha. Pessoas de todas as condições o procuravam em busca de conselho e oração. Morreu em Palermo em 4 de abril de 1589. Foi beatificado em 1743 e canonizado por Pio VII em 1807.
No Brasil, sua devoção foi difundida sobretudo pelas irmandades de homens negros, escravizados e libertos, desde o período colonial, e permanece viva em festas populares como a Marujada de Bragança (PA) e as celebrações em Minas Gerais, Goiás e outras regiões.
Como nos inspira hoje
Benedito viveu a santidade num ambiente que o desprezava pela origem e pela cor, e respondeu com humildade, serviço e sabedoria. Sua história denuncia o racismo e, ao mesmo tempo, mostra que a verdadeira grandeza está em servir. Inspira a reconhecer a dignidade de cada pessoa e a valorizar os trabalhos simples, como o da cozinha, como lugar de encontro com Deus.
Padroeiro de
- cozinheiros (devoção popular)
- comunidades negras e afrodescendentes (devoção popular)
- Palermo (copadroeiro)
Símbolos
- hábito franciscano
- flores no avental ou no manto (milagre do pão transformado em flores)
- Menino Jesus nos braços
- utensílios de cozinha
Oração
Senhor, que exaltastes os humildes e fizestes de São Benedito um servidor alegre e sábio, dai-nos o mesmo amor ao trabalho simples e ao próximo. Por sua intercessão, livrai-nos de todo preconceito e fazei-nos reconhecer em cada pessoa um irmão. Amém.
Oração composta para o app.